sexta-feira, 22 de agosto de 2014

A neve não está mais caindo...



Kilimanjaro

Don't say you wanna a better world
Don't say you wanna a better life
When all you do is watch TV
And listen to the promisses

Don't say you wanna a better world
Don't say you wanna a better life
When all you do is just rely
on the progresses of science

Don't say another word, just let me dream

And look outisde
where the wind blows and the flowers grow
Where the river goes
Taking my dreams away
Just let me go
Where the rain falls and the forest cries
Since there will be no more snow in Kilimanjaro

Don't say you wanna a better world
Don't say you wanna breath clean air
When all you do is drive arround
In your brand new SUV

Don't say you wanna a better world
For all the children of mankind
When all you do is just rely
on the progresses of science

Don't say another word, just let me dream

And look outisde where the
Wind blows and the flowers grow
Where the river goes
Taking my dreams away
Just let me go
Where the rain falls and the forest cries
Since there will be no more snow in Kilimanjaro

Kilimanjaro

Não diga que quer um mundo melhor
Não diga que quer uma vida melhor
Quando tudo o que faz é assitir tv
E ouvir as promessas

Não diga que quer um mundo melhor
Não diga que quer uma vida melhor
Quando tudo o que faz é confiar
Nos progressos da ciência

Não diga outra palavra, apenas deixe me sonhar

E olhe lá fora
Onde o vento sopra e as flores crescem
Onde o rio vai
Levando os meus sonhos embora
Apenas deixe me ir
Onde a chuva cai e as florestas choram
Sendo que não haverá mais neve em Kilimanjaro

Não diga que quer um mundo melhor
Não diga que quer respirar ar puro
Quando tudo o que faz é dirigir por aí
Na sua caminhonete nova

Não diga que quer um mundo melhor
Para todas as crianças da humanidade
Quando tudo que faz é confiar
Nos progressos da ciência

Não diga outra palavra, apenas deixe me sonhar

E olhe lá fora
Onde o vento sopra e as flores crescem
Onde o rio vai
Levando os meus sonhos embora
Apenas deixe me ir
Onde a chuva cai e as florestas choram
Sendo que não haverá mais neve em Kilimanjaro

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Permacultura na prática: forno solar caseiro.

Nos postes passados vimos de maneira simplificada em que consiste a Permacultura, ou seja suas bases teóricas. Porém devemos estender esse conceito e colocá-lo mais próximo da realidade. Ora, a natureza da Permacultura é justamente a aproximação e integração de tecnologias, muitas vezes, baratas e de fácil aquisição e aplicação, para tornar a vida ecologicamente sustentável algo mais palpável e possível. Assim,
para além das sucintas introduções teóricas, que tal conhecermos um pouco mais da prática permaculturista no cotidiano? 


Vivemos em um país tropical, onde na maior parte do seu território existe muito calor solar, calor em abundância. Essa característica faz com que em várias regiões nas quais existe carência hídrica e pluviométrica, o clima ser um problema. Entretanto, a exemplo daquilo que vimos anteriormente, a permacultura ancora-se justamente em aproveitar ao máximo os recursos disponíveis, adaptando nossas construções e nossas necessidades de acordo com a fauna, flora, terreno e clima da região onde estamos inserimos. E o Brasil tem sol, muito sol. Porque então não usar essa energia a nosso favor? Um recurso ilimitado de impacto nulo e gerador de vários benefícios. Desta maneira, o calor solar em abundância deixa de ser um problema e vira uma solução. Painéis de captação solar são a forma de utilização desse calor mais popularmente conhecidas, porém existem várias outras aplicações que usam basicamente o mesmo princípio. O princípio é: os raios incidem sob um ponto no centro de um material captador (geralmente metal cromado ou placas de alumínio) , esse material toma a forma de uma cuia ou caixa, funcionando mais ou menos da forma de um "pote" o qual acumula e concentra essa radiação. A radiação concentrada no material gera o calor que é dissipado em forma de energia. Essa energia vem de duas maneiras: a elétrica (painéis solares) e térmica ( outros produtos). É justamente no uso térmico que iremos nos concentrar dessa vez.

Já imaginou, naquele domingo ensolarado em que você está reunido com a sua família para o típico almoço, porém esse sendo preparado num fogão feito de materiais caseiros como papelão, papel alumínio e isopor? Esse fogão funciona a custo zero? Sim meus amigos, isso é possível, falaremos hoje dos fornos solares caseiros.

Esse utensílio tem um grande potencial de inserção social devido a seu baixíssimo custo de produção, seu elevado aproveitamento e facilidade de obtenção de materiais, construção e manutenção. Populações mais carentes podem ser muito beneficiadas, inclusive com o desenvolvimento de políticas públicas voltadas para isso.

Então, segue abaixo o passo a passo de como construir seu próprio fogão solar caseiro:
1) Materiais: Caixa de papelão, saco plástico transparente, papel alumínio, fita adesiva e cartolina preta.

2) Montagem: pinte de preto a caixa de papelão ou cubra com cartolina preta o seu interior. Após, forre uma parte do papelão com papel alumínio. Esse pedaço será utilizado como refletor solar. Ponha um prato pequeno ou médio com o alimento para ser aquecido no interior da caixa, cobrindo este com o plástico transparente. Leve o forno ao sol, ajustando o refletor para iluminar dentro da caixa. Você vai reparar que pouco tempo depois o forno estará quente. Sugiro utilizar uma vela de cera para testar o aquecimento. Coloque e cronometre o tempo em que ela demora para começar a derreter. Esse é o tempo que o forno demora para começar a funcionar.


Se você desejar, existe um modelo maior e mais completo, com imagens disponível neste arquivo →http://sustentavelnapratica.net/arquivos/fogaosolar.pdf

Também disponibilizo este vídeo com um forno solar elaborado contendo o preparo de pães: 

Um abraço e até próxima!

terça-feira, 12 de agosto de 2014

O que é Permacultura?

A palavra Permacultura é a junção literal das palavras "permanente" e "cultura", ou seja, cultura permanente. O conceito foi criado por dois australianos na década de 70, David Holmgren e Bill Mollison. Permacultura pode ser definida como um conjunto de práticas sustentáveis visando a redução dos impactos ambientais oriundos das atividades humanas, uso eficiente e harmônico dos recursos naturais permitindo ao homem integrar-se a natureza e seu convívio equilibrado com a mesma.

Traz consigo métodos e abordagens capazes de gerar a uma economia sustentável que responda as necessidades básicas de seus praticantes. Entende-se aqui que o homem, a sua morada privada e o ecossistema são partes de um único grande organismo e devem funcionar em consonância, através do usufruto inteligente do capital natural e adequação ao ambiente, utilizar a força e sabedoria humana somando as riquezas animais e vegetais do local onde se está inserido, as características do solo, do ar, água e clima na construção de uma infraestrutura que agregue para o homem tanto quanto para a natureza, e não diminua. Todos esses atores devem funcionar de maneira a gerar um equilíbrio e bem estar.

São práticas permaculturistas: a construção de cisternas para acumulação da água da chuva, sistemas de acolhimento da água utilizada em lavagens de pratos e roupas, por exemplo,os quais contenham plantas capazes de filtrar e limpar a água de seus resíduos tóxicos, podendo essa mesma água ser reutilizada para a produção de alimentos orgânicos ou novas lavagens. Também utiliza-se o próprio lixo orgânico para a produção de adubos e gás metano, que alimenta consideravelmente o consumo de energia elétrica e a gás de uma casa. Pode-se integrar a alimentação elétrica de uma residência a energia oriunda do gás metano com a solar (através de painéis solares industriais ou até mesmo caseiros!) e eólica.

Esses são um pequeno grupo das múltiplas técnicas que a Permacultura desenvolve, podendo ser de escalas simples e pequenas, até sistemas extremamente desenvolvidos e complexos que interconectem o máximo de recursos e gerem um alto grau de aproveitamento com danos muito baixos ou inexistentes para o meio ambiente. Deixo aqui, para melhor entendimento do leitor, um vídeo da Chácara Asa Branca, onde as práticas permaculturistas são adotadas.

A Ecologia Profunda



A expressão "ecologia profunda" foi criada durante a década de 1970 pelo filósofo norueguês Arne Naess(foto), em oposição ao que ele chama de “ecologia superficial” – isto é, a visão convencional segundo a qual o meio ambiente deve ser preservado apenas por causa da sua importância para o ser humano.

Ecologia superficial é, sinteticamente, olhar para a natureza como uma fonte de recursos, ver a árvore e enxergar a madeira, preservar o rio pois sem ele não há água para consumo,etc. O ser humano é dominador/controlador, a natureza o serve e não o contrário.

Ecologia profunda, como o próprio nome sugere, coloca o ser humano como parte integrante da natureza. Não somos seus dominadores, somos seus compostos. Não há separação, respeitamos a natureza e tudo que nela está por motivos muito além da sobrevivência, porque enxerga-se que outros seres não são menos importante do que nós, não têm menos direito a usufruir da sua parcela de espaço neste globo quando comparados aos homens. Imersão total, tanto física, quanto mental e espiritual. A ideia central da ecologia profunda é: a natureza possui valor em si mesma.

 Dando um rápido olhar para a sociedade desenvolvimentalista contemporânea percebemos que o primeiro modelo citado é soberano nas nações. Isso nos faz pensar: Porque esse foi escolhido e não aquele? Baseamos o desenvolvimento da qualidade de vida de um país muito em conta do seu crescimento econômico e esse por sua vez é embasado no avanço da ciência e tecnologia. Ou seja, um dos pilares de como a sociedade evolui está contida na epistemologia científica. Por fim, para entendermos o porque a "ecologia superficial" ser predominante, é necessário voltarmos ao passado, no desenrolo da filosofia cientifica ocidental.

A ciência atual, apesar de muito ter avançado os seus debates a cerca do papel da ciência no mundo tal qual sua forma de agir, ainda possui características do modelo empirista-positivista. O empirismo foi lançado por Descartes e Bacon, resumidamente afirmavam que para se conhecer é necessário provocar a natureza, interferir, instrumentalizar, medir, calcular. O cientista deve colocar as forças, os elementos do experimento em choque e a partir disso, de uma maneira distanciada e neutra, obter os resultados e deles extrair suas preposições e teorias explicativas.

Aqui podemos problematizar duas coisas: em primeiro lugar que por mais que o homem deseje, ele nunca deixa de fazer parte da natureza. Hoje sabemos que mesmo em níveis subatômicos, só o fato de medirmos algo altera o experimento. Nossa pré-concepção a respeito de algo que já existe antes mesmo do experimento ser feito, e isso se altera de acordo com a cultura, tempo e contexto no qual estamos inseridos. Por exemplo, num famoso caso citado por Chalmers (1980) mostra-se um desenho cuja representação parece ser de uma escada. Os ingleses que viram o desenho prontamente diziam se tratar de uma escada. O mesmo desenho então foi mostrado a aborígenes da África, e para eles não passava de um monte de linhas interconectadas. Isso ocorre porque para tais arborígenes não existe a ideia de profundidade em suas representações planas (desenhos em 2D). Um mesmo objeto obtem significados diferentes de acordo com o observador. O significado muda, porém o objeto sempre foi o mesmo! Se é mutável significa que é tudo, menos neutro. Se só o fato de observar, medir e interferir altera os resultados, consequentemente não há maneira de se afastar totalmente do seu próprio experimento, de todo em todo, não há experimento 100% livre de interferência humana, não há separação.

Em segundo lugar, mesmo Descartes e Bacon alertaram em suas escrituras para que o humano não se visse como algo separado de tudo. Bacon diz: " Para dominar as leis da natureza, antes é necessário obedecê-las". Descartes, rotulado como um dos pais de medicina ocidental, sempre considerou que o humor e as emoções dos seres humanos afetavam sua saúde, que havia um corpo metafísico e que este afetava cada um de nós. O homem só poderia ser completo se estiver em consonância com seu lar natural, a natureza. Tal sabedoria só foi se inserir recentemente na medicina moderna ocidental: sabe-se que o contato intimo com a terra pura, o sol e ar das matas traz alívio das tensões, melhora os batimentos cardíacos, a imunidade, o descanso e afeta positivamente os ciclos corporais, sobretudo o complexo e sensível ciclo ovular das mulheres.  

Essas problematizações colocadas acima foram feitas mas não acolhidas. Nossa ciência se esqueceu da essência do pensamento de seus principais idealizadores, passamos por cima da integração e nos afastamos de tudo o que é verde e puro. A preocupação veio em cima do conforto sem se pensar nas consequências disso, e derrepente aquilo o qual era realmente importante ficou para trás (diminui-se em 40% a biodiversidade do planeta em 30 anos (Convenção sobre Diversidade Biológica, 2006)).  Felizmente tal processo não passou desapercebido por muitos e os contra-movimentos surgiram, dentre eles a permacultura e a ecologia profunda.

Ecologia profunda dessa maneira é, de certa forma, recuperar esse contato primordial entre nós e a natureza, voltarmos ao seio materno que sempre nos nutriu e tanto foi maltratado.  Descamar-se do trivial, da quantidade, e ficar nu para abraçar o essencial e a qualidade.

Cauteloso, Arne Naess recusou-se a criar um sistema racionalmente coerente – um circuito fechado de idéias – capaz de limitar o conceito de ecologia profunda, e manteve-o como uma idéia aberta segundo a qual a variedade da vida é um bem em si mesma. Para Naess, esta ecologia surge do reconhecimento interior da nossa unidade com a natureza. O fato nem sempre requer explicações e muitas vezes não pode ser descrito com palavras. Mas a ação freqüentemente mostra com clareza o que é ecologia profunda.

Em certa ocasião, um rio da Noruega foi condenado à destruição para que fosse construída uma grande hidrelétrica. As margens do curso d’água seriam inundadas para que se fizesse o lago da barragem. Um nativo do povo Sami recusou-se, então, a sair do lugar. Quando, finalmente, foi preso por desobediência e retirado dali à força, ele não teve opção. Mais tarde a polícia perguntou-lhe por que se recusara a sair do rio. Sua resposta foi lacônica:

“Este rio faz parte de mim mesmo”.

O indígena estava certo. O meio ambiente faz, realmente, parte de nós mesmos. São dele o ar que respiramos e a água que compõe 70 por cento do nosso corpo físico. Dele vêm os nutrientes que renovam a cada instante as nossas células. Esta unidade dinâmica não está limitada ao plano material da vida, mas também é psicológica e espiritual, mesmo que alguns de nós não tenham plena consciência disso.

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Apresentação

Me chamo Luiz Fernando, sou aluno de Políticas Públicas e Planejamento Territorial. Neste blog procurarei expor e explorar conteúdos relacionados a permacultura no seu escopo de atividade relacionada a identidade social de uma pessoa ou grupo, a qual vem ganhando cada vez mais espaço no sec XXI, uma contra-força surgida da necessidade de reaproximação do ser humano com a natureza e com todas as etapas de produção de algum objeto, processo cada vez mais raro na divisão de trabalho imposta pelo capitalismo contemporâneo.